11 de jun de 2013

Bolsas, tarifas e nada de simpatia!

Tem acontecido coisas em nosso país que eu tenho pensado muito e preciso escrever para que eu possa me livrar um pouco dessa raiva dentro de mim, preciso escrever mesmo sem encontrar as palavras do que eu quero e necessito expressar.
Primeiro: Estatuto Nascituro, mais conhecido como: Bolsa Estupro!
Você sabe o que significa? Bom, vou dar uma breve explicação: Você não pode mais abortar um filho gerado por um estupro, você não pode abortar um filho que você sabe que não viverá nem uma hora, ou seja, você mulher, não pode responder pelo seu corpo.
É aí que eu penso "Eu moro num país onde eu não posso tomar conta do meu próprio corpo mesmo depois que eu fui estuprada? É isso mesmo, Brasil?". Sim, é isso mesmo! Vejamos, eu fui estuprada pelo meu pai/meu irmão e mesmo assim, corro uma gravidez de risco, uma gestação gerada com violência e incesto, mas mesmo assim, eu tenho que levar a diante, mesmo eu tendo nojo do ser que vai crescer dentro de mim. Sim, você terá que ter esse filho e esse filho ainda terá o nome do pai na certidão de nascimento. Ouvi dizer que esse projeto de lei dessa tal bolsa tem a ver com os Direitos Humanos, porque muita gente ainda tem o pensamento de que não se pode abortar, porque é um coração que bate e o caralho... aí, mais uma vez eu penso "E os meus direitos? Afinal, eu sou humana, fui violentada, sofri abusos e fui vista como um nada, ainda sou vista como um nada, mas tenho que gerar uma criança que eu jamais vou ter algum afeto, mas eu tenho que gerar. É isso? É nesse lugar que eu vivo?"
Como conseguirei viver num país desse? Como vou conseguir viver no meio de uma população onde as pessoas são hipócritas, a política é suja e a religião tenta voltar nos anos em que conseguia dominar tudo?
A minha indignação por esse projeto infeliz de lei é tão tamanha que a minha vontade é de sumir, afinal, eu não estou livre, minha mãe não está livre, minhas amigas, meu irmão, minha família não está livre, meus filhos não vão estar livres, ninguém está livre. Infelizmente, é a conclusão que eu tenho, ninguém está livre.



Me indigna muito mais saber que eu trabalho, pago meus estudos, pago as minhas contas, pago a porra dos impostos, aqueles que não são baratos, pago para ser uma cidadã digna e corro o risco de morrer ao chegar em casa porque querem o meu celular, um mísero celular que eu batalhei pra comprar. Depois eu tenho que agradecer por não ter acontecido algo pior comigo, é isso mesmo? Eu tenho que agradecer por isso? Que país é esse? Que lugar é esse? Onde chegamos, Brasil?
Além desse Estatuto miserável, aconteceu o aumento da passagem dos ônibus na cidade de São Paulo. Moro numa cidade, uma das maiores metrópoles existentes, onde a passagem do transporte PUBLICO é abusiva, se é transporte público, eu não deveria pagar, afinal, o transporte que temos é precário, mas se fossem transportes que eu conseguisse me locomover sem tanto trânsito, que eu conseguisse entrar e não ser esmagada, eu pagaria sem reclamar, mas não é isso que acontece. E me falam: Temos muitos carros em São Paulo! Claro que temos, ninguém aguenta ficar 2h dentro de um transporte e que esse caminho de 2h você faz em 30min, então, você compra um carro e fica sozinho dentro dele e no meio ao trânsito. Se juntar o dinheiro que é gasto todos os dias com passagens de ônibus/metrô durante um ano, com certeza você compra um carro. Se o transporte PÚBLICO fosse de qualidade, não haveriam tantas pessoas comprando seus carros.
Vejo os protestantes na Av. Paulista em protesto pelo aumento de R$ 0,20 centavos da passagem do tal transporte PÚBLICO e não acho que seja vandalismo como a mídia mostra, acho que é a forma que eles encontraram para protestar. Não tenho que aceitar calada! Não vou aceitar!


Flor

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